Meu tipo

Nunca entendi aquela pergunta clássica: "Qual é seu tipo?". Amor é como sorte, ele vem sem avisar, a gente não sai procurando na rua. Não é algo definido facilmente, como o número do seu sapato ou sua cor preferida. Meu tipo não é o desinibido ou o tímido, o atleta ou o nerd, o otimista ou o realista, o músico ou o poeta. Não precisa ser loiro dos olhos azuis, ter um metro e noventa, ser rico ou popular. Nem se assemelhar ao galã do filme que salva a mocinha em perigo. Muito menos ser o sapo que vira príncipe no final do conto de fadas. Não precisa em hipótese alguma, ser perfeito para chamar minha atenção ou atrair meu olhar. Tem que ter algo especial que seja visível somente para mim. Li em algum lugar que o essencial é invisível aos olhos, e é a pura verdade. Logicamente, as aparências chamam atenção-certas ou totalmente equivocadas-de quem nem conhecemos realmente. Mas, às vezes, me surpreendo comigo mesma por não notar qualidades tão evidentes em alguém e mesmo assim ela se tornar a pessoa a qual eu mais admiro. Impressiono-me com a estranha capacidade de ver "tudo" em alguém que antes, significava exatamente "nada". É pelas coisas acontecerem com tanta sutileza e naturalidade que elas se tornam belas. E coisas assim só podem ser guardadas no coração. Porque o que a gente guarda no coração a gente nunca esquece. Então, se você não é o melhor em tudo, mas se destaca por fazer o que gosta com força de vontade; se você se esforça para ajudar aqueles que precisam; se você tenta agradar com os melhores conselhos que podem ser dados, sem ter o menor talento pra isso; se você conta piadas sem graça ou faz palhaçadas, semeando alegria onde só havia tristeza: desconfie. Você faz meu tipo.
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